Suspensão será mantida até se identificar causa do vazamento de petróleo.
Empresa disse que não foi informada, mas vai seguir 'todas as normas'.
A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP) decidiu, em reunião nesta quarta-feira (23),
suspender as atividades de perfuração no Campo de Frade, na Bacia de
Campos, no Rio, "até que sejam identificadas as causas e os responsáveis
pelo vazamento de petróleo e restabelecidas as condições de segurança
na área".
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De acordo com a assessoria da ANP, somente a Chevron opera no Campo de
Frade, onde no último dia 8 foi identificado vazamento em um poço de
extração de petróleo. A empresa não tem atividade operacional em outros
campos. Por isso, conforme nota divulgada pela ANP, a decisão "suspende
toda atividade de perfuração da Chevron do Brasil Ltda. no território
nacional".
A empresa disse no final da tarde desta quarta que ainda não tinha sido
informada oficialmente da decisão da ANP. Por meio de sua assessoria,
informou que “vai seguir todas as normas e regulamento do governo
brasileiro e suas agências”.
Até esta terça, a ANP estimava que o vazamento, na área da Bacia de
Campos, correspondia a até 3 mil barris de petróleo. Logo após a
identificação do vazamento, a Chevron teve de suspender temporariamente as operações de perfuração.
Em audiência pública na Câmara dos
Deputados nesta quarta, o presidente da Chevron, George Buck, pediu
"desculpas" aos brasileiros e ao governo pelo vazamento no Campo de
Frade. Ele disse que a empresa norte-americana foi eficiente em conter o
vazamento de petróleo, iniciado há duas semanas.
“Peço sinceras desculpas à população brasileira e ao governo
brasileiro. Peço também desculpas por não me expressar em português.
[...] Esperamos continuar sendo parceiros do Brasil para fazer jus ao
destino do país de se tornar superpotência."
Pré-sal
A ANP informou ainda que, na reunião, a diretoria da agência rejeitou pedido da concessionária para perfurar novo poço no campo para atingir a camada pré-sal.
A ANP informou ainda que, na reunião, a diretoria da agência rejeitou pedido da concessionária para perfurar novo poço no campo para atingir a camada pré-sal.
"A diretoria [da ANP] entende que a perfuração de reservatórios no
pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que
originou o vazamento, maiores e agravados pela maior profundidade."
A agência informou que a decisão foi tomada com base em observações
técnicas que "evidenciam negligência, por parte da concessionária na
apuração de dado fundamental para a perfuração de poços e na elaboração e
execução de cronograma de abandono, além de falta de maior atenção às
melhores práticas da indústria".
Na terça (22), a ANP informou que mancha do óleo estava com área de 2
km² e extensão de 6 km. Quatro dias antes, na sexta-feira (18), a área
da mancha era de 12 km², segundo a ANP.
Nesta segunda (21), o Ibama multou em R$ 50 milhões a Chevron pelo
vazamento. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, afirmou que a
empresa está sujeita a sofrer novas multas.
Nesta quarta (23), a Polícia Federal começou a ouvir funcionários da
Chevron no inquérito que apura a responsabilidade pelo vazamento.


















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