quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Jornalistas do Rebelión e Democracy Now debatem mídia alternativa




As experiências da mídia alternativa e de manifestações políticas nos Estados Unidos e na Europa foram tema de debate na tarde desta sexta-feira (28), no 1° Encontro Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu. Os palestrantes foram o espanhol Pascual Serrano, criador do site Rebelión, e Andrés Thomas Conteris, estadunidense, criador do Democracy Now En Español.

Mediados por Renata Mielli, do Barão de Itararé, e Altino Machado, blogueiro do Acre, os dois jornalistas falaram sobre suas experiências recentes e de suas perspectivas em relação à chamada web 2.0. Para eles, há diferentes maneiras de enxergar manifestações como a Primavera Árabe, a revolta dos indignados, na Espanha, ou o movimento Occupy Wall Street, nos Estados Unidos.
Enquanto Conteris mostra entusiasmo com a rede de resistência que se espalha pelo globo, Serrano crê que falta consistência a esses movimentos. Conteris diz nunca ter visto um movimento tão forte e significativo como as ocupações em Wall Street e outras localidades nos Estados Unidos, e que esses atos somam-se a muitos outros, que se conectam em rede. “Os aspectos mais interessantes desses movimentos são a perseverança, a independência e a horizontalidade”, afirma.
Conteris menciona que, apesar de incipientes e não terem um plano sólido de ação, os movimentos exprimem a insatisfação de “99% das pessoas” e têm demonstrado um compromisso impressionante com suas propostas. “O trunfo dessas manifestações, em minha opinião, é o fato de já nascerem com a ideia de serem permanentes”, comenta.
Já Serrano acredita que esses movimentos não são suficientes para atingir transformações profundas. “As supostas revoluções virtuais não promoveram verdadeiras mudanças no poder”, diz. Em contraste à opinião de Conteris, o espanhol ainda afirma que a sociedade tem vivido um “êxtase cibernético”, que têm dado uma certa “mística” às redes sociais e blogosfera.  “Essas ferramentas catalisam processos sociais, mas também me pergunto se não empobrecem a reflexão intelectual e política em suas mensagens curtas e instantâneas”, diz. Para o espanhol, porém, “é necessário incorporar algo que não gostamos para poder transformá-lo”.
O futuro do jornalismo e da imprensa alternativa
Serrano conta que ajudou a criar o Rebelión em 1996, quando as fontes de mídia alternativa eram escassas. 11 anos depois, ele enxerga a página como uma agência de notícias com projeção global de conteúdo e vê a mídia alternativa com muito mais credibilidade e força: “no começo, havia muita insegurança quanto à credibilidade, por exemplo. Mas foram surgindo blogueiros e jornalistas que se tornaram referência e respaldaram a imprensa alternativa”.
Para Serrano, é necessário lutar por políticas públicas de comunicação, que sejam democráticas e justas. “Devemos denunciar o monopólio dos grandes meios, que calam os outros grupos sociais. A mídia alternativa só crescerá se superarmos a estrutura mercantil da comunicação”, afirma.
Na opinião do espanhol, é imprescindível formar e qualificar a nova geração de jornalistas, sob um parâmetro humanista e democrático. Para isso, ele frisa que “as redes e a tecnologia precisam estar a serviço desse jornalismo e não das grandes empresas e seus interesses privados”. Conteris ressalta que o papel da mídia alternativa é “ir aonde o silêncio está”. Mais que isso, o jornalista do Democracy Now afirma que é preciso criar eco nesses locais.
BarãoTanto pela divergência quanto pelas opiniões compartilhadas, os dois palestrantes protagonizaram um rico debate, que agregou reflexão crítica à discussão sobre a mídia alternativa e os movimentos sociais, tanto nos Estados Unidos e na Europa, quanto em uma perspectiva global.

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Fernando Lúcio: E-mail: donainesonline@hotmail.com. Tecnologia do Blogger.