
As experiências da mídia alternativa e de
manifestações políticas nos Estados Unidos e na Europa foram tema de
debate na tarde desta sexta-feira (28), no 1° Encontro Mundial de
Blogueiros, em Foz do Iguaçu. Os palestrantes foram o espanhol Pascual
Serrano, criador do site Rebelión, e Andrés Thomas Conteris, estadunidense, criador do Democracy Now En Español.
Mediados por Renata Mielli, do Barão de Itararé, e Altino Machado,
blogueiro do Acre, os dois jornalistas falaram sobre suas experiências
recentes e de suas perspectivas em relação à chamada web 2.0. Para
eles, há diferentes maneiras de enxergar manifestações como a Primavera
Árabe, a revolta dos indignados, na Espanha, ou o movimento Occupy Wall
Street, nos Estados Unidos.
Enquanto Conteris mostra entusiasmo com a rede de resistência que se
espalha pelo globo, Serrano crê que falta consistência a esses
movimentos. Conteris diz nunca ter visto um movimento tão forte e
significativo como as ocupações em Wall Street e outras localidades nos
Estados Unidos, e que esses atos somam-se a muitos outros, que se
conectam em rede. “Os aspectos mais interessantes desses movimentos são a
perseverança, a independência e a horizontalidade”, afirma.
Conteris menciona que, apesar de incipientes e não terem um plano
sólido de ação, os movimentos exprimem a insatisfação de “99% das
pessoas” e têm demonstrado um compromisso impressionante com suas
propostas. “O trunfo dessas manifestações, em minha opinião, é o fato de
já nascerem com a ideia de serem permanentes”, comenta.
Já Serrano acredita que esses movimentos não são suficientes para
atingir transformações profundas. “As supostas revoluções virtuais não
promoveram verdadeiras mudanças no poder”, diz. Em contraste à opinião
de Conteris, o espanhol ainda afirma que a sociedade tem vivido um
“êxtase cibernético”, que têm dado uma certa “mística” às redes sociais e
blogosfera. “Essas ferramentas catalisam processos sociais, mas também
me pergunto se não empobrecem a reflexão intelectual e política em suas
mensagens curtas e instantâneas”, diz. Para o espanhol, porém, “é
necessário incorporar algo que não gostamos para poder transformá-lo”.
O futuro do jornalismo e da imprensa alternativa
Serrano conta que ajudou a criar o Rebelión em 1996, quando
as fontes de mídia alternativa eram escassas. 11 anos depois, ele
enxerga a página como uma agência de notícias com projeção global de
conteúdo e vê a mídia alternativa com muito mais credibilidade e força:
“no começo, havia muita insegurança quanto à credibilidade, por exemplo.
Mas foram surgindo blogueiros e jornalistas que se tornaram referência e
respaldaram a imprensa alternativa”.
Para Serrano, é necessário lutar por políticas públicas de
comunicação, que sejam democráticas e justas. “Devemos denunciar o
monopólio dos grandes meios, que calam os outros grupos sociais. A mídia
alternativa só crescerá se superarmos a estrutura mercantil da
comunicação”, afirma.
Na opinião do espanhol, é imprescindível formar e qualificar a nova
geração de jornalistas, sob um parâmetro humanista e democrático. Para
isso, ele frisa que “as redes e a tecnologia precisam estar a serviço
desse jornalismo e não das grandes empresas e seus interesses privados”.
Conteris ressalta que o papel da mídia alternativa é “ir aonde o
silêncio está”. Mais que isso, o jornalista do Democracy Now afirma que é preciso criar eco nesses locais.





















0 comentários:
Postar um comentário