quinta-feira, 25 de abril de 2013

As poesias de Mariano





Eu sertão, não sei o certo...
Sou córrego e deserto.
Sinto a água correndo perto
Ou seja, correndo dentro,
Dentro de mim...

Minhas veias, riacho...
Percorrendo minhas entranhas
Dos meus rios e montanhas
Assoreando minhas artérias
Com as impurezas das minhas águas
Com a vermelhidão do meu sangue.

Eu manancial,  em miniatura
Abastecido pela água do tempo
Em chuva  de pensamento me banho
E molhado no suor do meu corpo
Evaporo-me...

Eu, nuvem cheia, precipito- me,
Jogando-me do alto
Caio na terra.
Do meu corpo seco, sedento,
 Molhando a alma, lamento...

Eu, fauna em extinção
Fui mico leão dourado
Vaqueiro atrás do gado
Cacimba na serra
Cheiro de terra molhada...

Eu, trovão de invernada
Enxada cavando o chão
Semente de algodão
Fogueira e carne assada...

O sertão é meu interior,
É minha alma doutor
Sertanejada.

 Mariano Ferreira da Costa

Dona Inês, 25 de abril de 2013
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