Ainda sob o impacto da decisão da ex-senadora Marina Silva de filiar-se ao PSB de Eduardo Campos, é momento de saber as consequências dela. Afinal, o que muda ou pode mudar no cenário da sucessão presidencial?
De cara, é clarividente que o governador Eduardo Campos foi o único a lucrar, o mesmo não podendo ser dito dos seus concorrentes ao Planalto: Aécio Neves e Dilma Rousseff.
O presidente do PSB, antes do apoio de Marina, vivia a iminência de polarizar a disputa com Dilma no Nordeste, mas padecia de musculatura no Sudeste e no Sul do país. Confirmada a ex-senadora como sua vice, Eduardo Campos se insere nessas regiões, nas quais Marina obteve seus melhores desempenhos, a despeito de ter forjado sua carreira política no Acre.
Além disso, no que tange à diversidade de gênero, a chapa Eduardo-Marina também se apresenta bem.
Outro ganho para o governador pernambucano, e nesse aspecto surge a primeira e maior dor de cabeça de Dilma, é a garantia de que não poderá ser carimbado como um candidato de oposição, visto que, tanto ele, quanto Marina, são egressos da aliança que levou o PT ao poder. Assim, ambos possuem legitimidade para reivindicar os avanços desses últimos dez anos, bem como autoridade para apontar erros e sugerir soluções.
Para o PT, o ideal seria a repetição da briga com o PSDB, protagonizada nas três últimas eleições presidenciais, vencidas pelos petistas. A alternativa Eduardo-Marina, nascida dentro da aliança liderada pelo Partido dos Trabalhadores, quebra a polarização.
Deste modo, é possível dizer que Aécio Neves sofre duro golpe, uma vez que corre o risco de não ser mais o oponente direto de Dilma, vivendo ante a ameaça de sequer ir ao segundo turno. Esse cenário, aliás, tira o sono do PT, pois Eduardo recepcionaria grande parte dos votos do tucano numa disputa direta com a atual presidente.
Eduardo Campos sonha em chegar ao segundo turno, nos moldes do que se deu nas eleições 2006, em Pernambuco. O governador Mendonça Filho concorria à reeleição, enquanto que Humberto Costa, ministro da Saúde, era candidato de oposição. Ministro da Ciência e Tecnologia, o socialista entrou na corrida como azarão. Ao chegar no segundo turno, recebeu o apoio do petista Humberto, que não tinha como votar no governador do PFL, partido algoz de Lula em Brasília.
Caso o oponente de Eduardo tivesse sido o próprio Humberto, fatalmente Mendonça também teria desembarcado no palanque de Campos.
Em 2014, os eleitores de Dilma optariam por Eduardo, se do outro lado estivesse Aécio. Já os do tucano seguiriam Campos, caso fosse Dilma sua concorrente. A razão é simples: os eleitores de Aécio querem qualquer um, menos Dilma, menos o PT. Já os dela preferem quem quer que seja, exceto Aécio, que é PSDB.
Para Eduardo, portanto, o desafio é ir ao segundo turno, algo bem mais palpável com o apoio de Marina.