- Isso ofende profundamente, fere o sentimento religioso do povo. O uso debochado da imagem dos santos é ofensivo e desrespeitoso, o que nós desaprovamos – disse o cardeal dom Odilo Scherer.
A festa foi marcada por discursos políticos a favor da criminalização da homofobia, arrastões e assaltos contra os participantes, regidos por uma música eletrônica que parecia incitar um ritual etílico que dominava todo o trajeto. Para comemorar a data, os organizadores ainda buscaram o improvável: colocar todo o público para dançar ao som de “Danúbio Azul”.
A festa foi marcada por discursos políticos a favor da criminalização da homofobia, arrastões e assaltos contra os participantes, regidos por uma música eletrônica que parecia incitar um ritual etílico que dominava todo o trajeto. Para comemorar a data, os organizadores ainda buscaram o improvável: colocar todo o público para dançar ao som de “Danúbio Azul”.
A valsa, no entanto, só conseguiu ganhar seguidores quando entoada em altos decibéis num ritmo de techno-house-tribal, bem ao estilo das baladas gays em todo o mundo. A intenção era entrar para o Guiness Book como a valsa dançada pelo maior número de casais, o que não havia se confirmado até ontem à noite. Ainda em relação ao número de participantes, a Polícia Militar informou que não faria projeção oficial, deixando o dado a cargo dos organizadores.
Não fosse o engajamento político de um ou outro que estava em cima de um dos 15 trios elétricos, a discussão em torno do projeto de lei 122, que torna crime a homofobia, teria passado batida. Muitos participantes sequer tinham ideia dos efeitos da decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que, juridicamente, tornou possível a união homoafetiva.
- Sei lá que projeto é esse. Estou aqui só para dançar e zoar – dizia Carmem Fernandez, 27 anos, mais interessada em entrar e sair debaixo da bandeira de arco-íris que seguia a marcha.
Eleita a primeira diva da Parada Gay de São Paulo, a cantora Preta Gil abriu a 15ª edição do evento pedindo respeito à diversidade. Em coletiva à imprensa, ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e da senadora Marta Suplicy (PT-SP), Preta pregou a criminalização da homofobia. Com bom humor, usando vestido todo bordado em cristais, a cantora disparou:
- Eu sou uma travesti que já nasceu operada. E estou aqui muito honrada de ser primeira diva da Parada, por isso já vim toda trabalhada no brilho porque sou uma drag debutante, com muita honra, humildade e emoção – disse ela, lembrando da trajetória do pai, o cantor Gilberto Gil, nos anos 70.
- Sou filha do tropicalismo. Quando exilados, meu pai e minha mãe foram torturados por não expressar sua música. Sou filha da liberdade e acredito na diversidade e na inclusão. Sempre fui militante da causa.
O Globo












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