A
recente decisão do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ) de deixar o
Brasil por causa de ameaças motivadas pelas denúncias contra o crime
organizado trouxe à tona a questão da segurança de deputados que atuam
de maneira mais incisiva contra grupos de extermínio, milícias e tráfico
de drogas.
Três
deputados federais recebem proteção especial da Polícia Federal ou da
Polícia Legislativa por terem sofrido ameaças ou ataques do crime
organizado: os deputados Fernando Ferro (PT-PE), Luiz Couto (PT-PB) e
Anthony Garotinho (PR-RJ).
“A
Polícia Federal está investigando o crime, mas, muito provavelmente, ele
foi cometido por gente incomodada com as investigações que venho
fazendo na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara”, declarou
Garotinho.
A proteção
de Garotinho é restrita ao período que passa em Brasília, não
abrangendo suas atividades no estado. “Eu pedi proteção federal ao
ministro da Justiça, mas nunca recebi”, disse. A situação é oposta à de
Couto e Ferro, que contam com proteção federal exclusivamente na Paraíba
e em Pernambuco, respectivamente.
Prisioneiro domiciliar
“Sou um prisioneiro domiciliar, só saio
de casa com a presença da Polícia Federal”, disse Couto. “Até para
rezar a missa eu preciso de segurança”, acrescentou o deputado, que é
padre da Igreja Católica.
Luiz Couto recebe ameaças desde junho
de 2003, quando começou a investigar a ação de grupos de extermínio. “A
Polícia Federal deve investigar quem são os mandantes, não basta pegar o
matador, porque aparecem outros pra ocupar o seu lugar”, afirmou.
O receio dos deputados do PT aumentou
depois do assassinato do advogado Manoel Bezerra de Mattos Neto,
vice-presidente do PT em Pernambuco e assessor do deputado Fernando
Ferro, em janeiro de 2009. Ele vinha recebendo ameaças por denunciar o
crime organizado na Zona da Mata pernambucana.
Manoel de Mattos foi colaborador da
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou os grupos de
extermínio no Nordeste. A CPI, relatada pelo deputado Luiz Couto, apurou
entre 2003 e 2005 o envolvimento de delegados, juízes, promotores e
outras autoridades nos grupos de extermínio da região. “Manoel Matos foi
assassinado seis anos depois da CPI, uma prova de que esses grupos não
se desmobilizam”, disse Ferro.
A Polícia Federal evita dar detalhes de
suas ações de proteção, mas confirma que atende a dois deputados.
Questionado sobre os critérios para atender aos pedidos de proteção, o
órgão não se pronunciou.
Já a Polícia Legislativa atende à Resolução 18/03 da Câmara e age motivada por determinação do presidente da Casa.
Bananeiras Online com Agência Câmara












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